terça-feira, 26 de junho de 2012


QUINTINO DE LACERDA

Líder do Jabaquara – o 1º Quilombo de Sucesso no Litoral Paulista.



Chefe do Quilombo do Jabaquara e primeiro líder político negro de Santos. Nascido em 8 de junho de 1839, Quintino de Lacerda, foi o mais atuante agitador da abolição no litoral Paulista, garantindo abrigo a escravos fugitivos de toda a região do planalto, que aqui buscavam defesa.

O Quilombo do Jabaquara, na descrição de Silva Jardim, era verdadeiramente inexpugnável, defendido pelas encosta do morro do Jabaquara e com um único caminho de acesso permanentemente guardados pôr sentinelas de Quintino.

Em 1850 haviam 3.189 escravos em Santos, para uma população livre de 3.956 habitantes.

Não deixa de ser surpreendente que quinze anos depois já existia uma forte resistência organizada e que três meses antes da abolição do instituto da escravidão no Brasil, em Santos já não houvesse escravos. Tanto que dia 13 de maio de 1888 seguiram-se oito dias de festa populares, comícios, passeatas músicas e dança nas ruas.

Quintino de Lacerda, foi o centro das atenções e chegou a receber, em solenidade pública, um relógio de ouro, como um homenagem popular a seu mais querido líder abolicionista.

Com a abolição, o irrequieto Quintino lança-se à luta política, incorporando, pela primeira vez, os negros ao processo político na cidade. Organiza e comanda um batalhão na defesa contra uma possível invasão de tropas rebeldes interessadas em depor o Marechal Floriano Peixoto. Recebe, em reconhecimento, o título de Major Honorário da Guarda Nacional, em 1893.

Sua eleição para a Câmara municipal, em 1895, porém, faz eclodir uma grande crise política fomentada pêlos setores racista. Ela começa com a negação de sua posse como vereador.

A batalha judicial que se segue, chega aos tribunais paulistanos, e termina com a vitória de Quintino. Prevendo o desfecho em favor do líder negro, o presidente da Câmara, Manoel Maria Tourinho, renunciou ao mandato, seguido pelo vereador Alberto Veiga. O novo presidente José André do Sacramento Macuco, foi obrigado a empossar Quintino, mas renunciou também ao mandato, em seguida, declarando-se "enojado com o que via", segundo Francisco Martins dos Santos("Histórias de Santos").

Registra o mesmo Historiador que apenas um dos inimigos de Quintino permaneceu na Câmara, embora passasse a não mais comparecer às sessões, Olímpio Lima, diretor do jornal "A Tribuna do Povo".

As atividades da Câmara foram suspensas até 1º de junho, quando voltou a funcionar, sob a presidência interina do próprio Quintino.

No dia 9, os cargos vagos são preenchidos e, a 16, com base na Lei Eleitoral e devido às ausências em plenário, Quintino propõe e obtém, pôr unanimidade, a cassação de Olímpio Lima. O Jornalista, inconformado, voltou à Câmara a 12 de julho, tão logo foi empossado o novo presidente, Antônio Vieira de Figueiredo, mas foi solicitado a retirar-se, já que seu mandato fora cassado. Lima iniciou uma série violenta de ataques contra Quintino em seu jornal, e à própria Câmara, num processo que culminaria, pôr fim, com a revogação da Constituição Municipal autônoma , que fora em 15 de novembro de 1894 e durou menos de um ano.

Quintino de Lacerda morreu em 10 de agosto de 1898, deixando três filhos menores. Seu enterro foi acompanhado pôr um grande número de pessoas, um testemunho do reconhecimento de sua importância histórica.

Foi mandado erguer na cidade de Santos, monumentos ao Coronel Quintino de Lacerda, patente outorgada pelo então Presidente, Marechal Deodoro da Fonseca ao menino escravo dos engenhos de Sergipe, em Itabaiana.

Seu nome também foi lembrado em sua terra, onde denominaram uma artéria publica com seu nome no centro da cidade (Rua Quintino de Lacerda) e reconheceram-no pelo seu legislativo municipal, como Herói Negro de Itabaiana, considerando o 8 de Junho como o Dia Municipal de Luta da Consciência Negra em sua homenagem gravado em 20 de setembro de 2001.

 Jabaquara - Santos

Menos conhecido do que o bairro que leva o mesmo nome na cidade de São Paulo, Jabaquara morro que deu nome ao quilombo é um bairro localizado na cidade de Santos, estado de São Paulo, no Brasil.

No século XIX, a área era conhecida como Sítio Jabaquara, e abrigava um grande quilombo que fugiam do interior de São Paulo para aquele local em busca de melhores condições de vida, que desciam a Serra do Mar a pé, no maior quilombo brasileiro.

Hoje, constitui-se de um bairro predominantemente residencial, mas abriga um dos maiores e mais antigos hospitais do país, a Santa Casa de Misericórdia de Santos, além de abrigar o Centro de Treinamento do Santos Futebol Clube e o estádio Ulrico Mursa, da Portuguesa Santista.

O bairro já abrigou o Jabaquara Atlético Clube, que levou o nome do bairro em conseqüência de sua origem e que forneceu diversos craques ao futebol brasileiro.

Fontes:

http://jornalnago.blogspot.com.br/2008/06/quintino-de-lacerda-heroi-negro-de.html 


sábado, 2 de junho de 2012


TOBIAS BARRETO


 
O negro sergipano que falava alemão era feminista e abolicionista.


Tobias Barreto de Meneses (Vila de Campos do Rio Real, 7 de junho de 1839 — Sergipe, 26 de junho de 1889) mestiço, pobre, nasceu na vila de Campos do Rio Real que passou a se chamar Tobias Barreto em sua homenagem, província de Sergipe em 7 de junho de 1839, e faleceu em Recife, Pernambuco em 26 de junho de 1889.

Bacharel em direito pela Faculdade do Recife, foi jornalista, advogado e deputado provincial. Destacou-se no campo da filosofia por sua atuação polêmica contra o conformismo retórico. Questionou a concepção de física social do positivismo, relacionou o conceito de cultura à constituição de normas para a compreensão do social e do humano. Entendia a metafísica como teoria do conhecimento divergindo profundamente do positivismo. Admitia a liberdade humana como realidade não empírica. Defendeu o liberalismo na política, a emancipação feminina e a libertação dos escravos. Foi uma figura central na Escola do Recife, disseminando o pensamento filosófico alemão no Brasil que, naquela época, sofria forte influência da cultura francesa. Certamente, foi um importante pensador brasileiro no século XIX.

Filósofo, poeta, crítico e importante jurista foi também fervoroso integrante da Escola do Recife, um movimento filosófico de grande força calcado no monismo e evolucionismo europeu, Tobias Barreto foi o fundador do condoreirismo brasileiro.

O Condoreirismo ou condorismo é uma parte de uma escola literária da poesia brasileira, a terceira fase romântica, marcada pela temática social e a defesa de idéias igualitárias.
Uma poesia social, comprometidos com a causa abolicionista e republicana. Em geral são poemas de tom grandiloqüente, próximos da oratória, cuja finalidade é convencer o leitor-ouvinte e conquistá-lo para a causa defendida.
O nome da corrente, condoreirismo, associa-se ao condor ave de vôo alto e solitário, com capacidade de enxergar a grande distância, os poetas condoreiros supunham serem eles também dotados dessa capacidade e, por isso, tinham o compromisso, como poetas-gênios iluminados por Deus, de orientar os homens comuns para os caminhos da justiça e da liberdade.

Sua temática, contudo, além de questionar a estrutura escravista do regime monárquico em vigência, opondo-lhe a República e a Abolição, procede a uma reflexão filosófica profunda acerca da Divindade dogmática como instituição mantenedora das desigualdades sociais, e conivente com a exploração do homem pelo homem:
Se é Deus quem deixa o mundo
Sob o peso que o oprime,
Se ele consente esse crime,
Que se chama escravidão,
Para fazer homens livres,
Para arrancá-los do abismo,
Existe um patriotismo
Maior que a religião.

Encontramos um eu-lírico céptico e questionador de todos os dogmas religiosos que não se furta a apontar as falhas Divinas:
                            (...)
                            Nesta hora a mocidade
                            Corrige o erro de Deus.

Postura que se mostra muito mais eloqüente e incisiva em Ignorabimus :

Quanta ilusão!... O céu mostra-se esquivo
E surdo ao brado do universo inteiro...
De dúvidas cruéis prisioneiro,
Tomba por terra o pensamento altivo.

Dizem que o Cristo, o filho do Deus vivo,
A quem chamam também Deus verdadeiro,
Veio o mundo remir do cativeiro,
E eu vejo o mundo ainda tão cativo!

Se os reis são sempre os reis, se o povo ignavo
Não deixou de provar o duro freio
Da tirania, e da miséria o travo,

Se é sempre o mesmo engodo e falso enleio,
Se o homem chora e continua escravo,
De que foi que Jesus salvar-nos veio?...

Dedicou vários anos a aprofundar-se no estudo do alemão, para poder ler no original alguns dos ensaístas germânicos, à frente deles Ernest Haeckel e Ludwig Büchner". Conta Hermes Lima, em sua magnífica biografia de Tobias, que ele "para irritar o burguês, com uma nota mais ostensiva de superioridade, abria freqüentemente seu luminoso leque de pavão: o germanismo". Foi em alemão que Tobias redigiu o "Deutscher Kampfer" (O lutador alemão). Mais tarde sairiam de sua pena os "Estudos Alemães".

A obra de Tobias é de significativo valor, levando em conta que o professor sergipano não chegou a conhecer a capital do Império.

Suas "Obras Completas", editadas pelo Instituto Nacional do Livro, incluem os seguintes títulos: "Ensaios e Estudos de Filosofia e Crítica", 1875. "Brasilien, wie es ist", 1876. "Ensaio de pré-história da literatura alemã". "Filosofia e Crítica". "Estudos Alemães", 1879. "Dias e Noites", 1881. "Polêmicas", 1901. "Discursos", 1887. "Menores e Loucos", 1884.

Hoje, em sua homenagem, a Faculdade de Direito do Recife é carinhosamente chamada de "A Casa de Tobias".



quinta-feira, 3 de maio de 2012

 LIMA BARRETO

 O pioneiro do romance social

 Afonso Henriques de Lima Barreto era mestiço, filho de um tipógrafo e de uma professora , que morreu quando ele tinha apenas sete anos. Estudou no Colégio Pedro 2o e depois cursou engenharia na Escola Politécnica. Ainda estudante, começou a publicar seus textos em pequenos jornais e revistas estudantis.

Com o agravamento do estado de saúde de seu pai, que sofria de problemas mentais, abandonou a faculdade e passou a trabalhar na Secretaria de Guerra, ocupando um cargo burocrático. Grande cronista de costumes do Rio de Janeiro, Lima Barreto passou a colaborar para diversas revistas literárias, como "Careta", "Fon-Fon" e "O Malho".

Seu primeiro romance, "Recordações do Escrivão Isaías Caminha", foi parcialmente publicado em 1907, na Revista Floreal, que ele mesmo havia fundado. Dois anos depois, o romance foi editado pela Livraria Clássica Editora. Em 1911, Lima Barreto publicou um de seus melhores romances, "Triste Fim de Policarpo Quaresma", e em 1915, a sátira política "Numa e a Ninfa".

Lima Barreto militou na imprensa, durante este período, lutando contra as injustiças sociais e os preconceitos de raça, de que ele próprio era vítima.

Em 1914 passou dois meses internado no Hospício Nacional, para tratamento do alcoolismo. Neste mesmo ano foi aposentado do serviço público por um decreto presidencial, ano em que também iniciou uma série de crônicas diárias no Correio da Noite. O jornal A Noite publica em folhetins, em 1915, seu romance Numa e a ninfa, e Lima Barreto inicia longa fase de colaboração na revista Careta, em artigos políticos sobre variados assuntos. Nos primeiros meses de 1916 aparece em volume o romance Triste fim de Policarpo Quaresma, que reúne também alguns contos notáveis como "A Nova Califórnia" e "O homem que sabia javanês", tendo boa acolhida por parte da crítica que vê em Lima Barreto o legítimo sucessor de Machado de Assis. Passa a escrever para o semanário político A.B.C.. Em julho de 1917, após internação hospitalar, entrega ao seu editor, J. Ribeiro dos Santos, os originais de Os Bruzundangas, sátiras, somente publicado em 1922, um mês após a morte do autor..

Em inícios de 1919, suspende a colaboração no semanário A.B.C., por ter a revista publicado um artigo contra a raça negra, com o qual não concordava.

Em 1919 o escritor foi internado novamente num sanatório. As experiências deste período foram narradas pelo próprio Lima Barreto no livro "Cemitério dos Vivos". Nesse mesmo ano publicou a sátira "Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá", inspirada no Barão do Rio Branco, e ambientada no Rio de Janeiro.

Lima Barreto candidatou-se em duas ocasiões à Academia Brasileira de Letras. Não obteve a vaga, mas chegou a receber uma menção honrosa. Em 1922 o estado de saúde de Lima Barreto deteriorou-se rapidamente, culminando com um ataque cardíaco. O escritor morreu aos 41 anos, deixando uma obra de dezessete volumes, entre contos, crônicas e ensaios, além de crítica literária, memórias e uma vasta correspondência. Grande parte de seus escritos foi publicada postumamente.

Em 1953, uma editora lançou alguns volumes inéditos de sua obra. Porém, somente em 1956, sob a direção de Francisco de Assis Barbosa, com a colaboração de Antônio Houaiss e M. Cavalcanti Proença, toda a sua obra em 17 volumes foi publicada, compreendendo todos os romances citados e também os títulos não publicados em vida do autor, e que são: Os bruzundangas, Feiras e mafuás, Impressões de leitura, Vida urbana, Coisas do reino de Jambon, Diário íntimo, Marginália, Bagatelas, O cemitério dos vivos e mais dois volumes que contêm toda a sua correspondência, ativa e passiva. Nas décadas seguintes Lima Barreto tem sido alvo de estudos, tanto no Brasil como no exterior. Suas obras, romances e contos, têm sido traduzidos para o inglês, francês, russo, espanhol, tcheco, japonês e alemão. Teses de doutoramento o tiveram como tema nos Estados Unidos e na Alemanha. Congressos e conferências foram realizadas em todo o Brasil, por ocasião do seu centenário de nascimento (1981), resultando inúmeros livros publicados, entre ensaios, bibliografias e estudos psicológicos do autor e sua obra.

Há, presentemente, um desabrochar de interesse entre os novos escritores brasileiros em favor da obra de Lima Barreto, tido como o pioneiro do romance social, e cuja produção literária - vasta, em proporção ao número de anos que viveu - ganha, a cada dia, o merecido destaque que lhe é devido.




Extraído dos sites:
http://www.culturabrasil.org/limabarreto.htm
http://educacao.uol.com.br/biografias/afonso-henriques-de-lima-barreto.jhtm
http://www.universidadefalada.com.br/audiolivros-gratis-audio-livro-gratuito/contos-lima-barreto-audiolivros-gratis-download.html

quarta-feira, 18 de abril de 2012

60 ANOS – O PERSONAGEM HOJE SOU EU.

Demorou, menos tempo do que eu pensava, confesso, mas, inicio neste 18 de abril uma nova década de vida!

Meu sentimento? De incontida alegria.

Nos últimos dias tenho assistido das minhas memórias um filme da minha vida. Lembro-me da Vila Guarani, no Jabaquara, local semi-rural há sessenta anos atrás, dos vizinhos, das famílias amigas, dos meus pais que se encontraram na mesma Vila Guarani e que se tornaram “parentes”, das ruas de terra, córregos, muito verde, uma enorme quantidade de campos de futebol, das minhas brigas na rua – como apanhei com esse tamanhico, sem irmão para me defender e uma marrudice de gigante, enfrentava quem fosse, aqueles grandões de um metro e vinte ou gigantes de um metro e meio e, então, era surrado ou corria, e como!

Corria tanto que nesse filme que estou assistindo, me recordo que passei a competir na rua (dar uma volta no quarteirão) e depois no bairro, associação de moradores, na igreja etc. e quase sempre ganhava.

Ah! O filme agora é da chegada na igreja, foi junto com a ida para o primário na Escola Pestalozzi – escola particular em São Judas (chique né?) – onde fiz a primeira comunhão, entrei na Cruzada Infantil, fui coroinha, congregado mariano, um pequeno beato.

No ginásio estadual Miguel Roque novos amigos. Bom não vai dar pra contar tudo, afinal são 60 anos.

Na Vila Guarani, de hoje, continuo tendo grandes amigos. Muitos, infelizmente, partiram e cá entre nós estou comemorando essa data na expectativa de que ainda demore muito para reencontrá-los seja lá onde estejam.

Outros se mudaram e alguns poucos decidiram esquecer suas raízes.

Eu não estou aqui firme. Trabalhei em duas grandes empresas VASP e Metal Leve e das duas, de onde me desliguei tem mais de trinta anos da primeira e mais de vinte da segunda, ainda tenho muitos amigos com quem compartilho alegrias, lembranças e encontros de famílias. Um grande barato.

Mas conheço muita gente mesmo é do movimento social e da minha ação política.

No filme que estou assistindo, quando tento me lembrar de todos é simplesmente impossível. O HD que já não é dos mais modernos após 60 anos, coloca-me uma série de nomes e imagens de pessoas infindáveis. Que legal.

É certo que muitos foram e serão sempre marcantes, outros nem tanto, mas são amigos e companheiros de épicas jornadas. PMDB, PSDB, passeatas, manifestos, medo das prisões da ditadura, convenções, uma profusão de lembranças: o Grupo Negro da PUC que idealizei e criei com divers@s companheir@s que ainda estão nessa jornada, fui o articulador dos advogados negros que resultou na primeira participação organizada dos nossos profissionais na OAB-SP e que hoje se espraia por todo o Brasil, o Conselho da Comunidade Negra é outro filho pródigo e o SOS-Racismo do Geledés Instituto da Mulher Negra, gestado com aquelas maravilhosas mulheres negras que admiro.

Registro, também, com muita alegria, minha passagem na PUC como estudante a oportunidade que a vida me deu de estudar 1 ano na Universidade do Texas, a minha experiência como professor universitário e da Polícia Militar, onde sei que desempenhei papel fundamental na implantação da cadeira Igualdade Racial e Ações Afirmativas que está modificando a história daquela corporação em relação ao negro e a outros grupos étnicos historicamente discriminados.

Resumindo ainda mais, ou como dizem os novos juristas “em apertada síntese” (se é síntese, precisa ainda ser apertada?) há exatamente um ano cheguei na Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania para chefiar a Coordenação de Políticas para a População Negra e Indígena, um novo desafio que tem me trazido muita satisfação e certamente bons resultados.

Ficou por último quem está em primeiro lugar – a família.

Aos 60 anos a imensa alegria de ser filho da Valdivina e do Hélio e que embora ausentes dos abraços estão presentes na minha lembrança e eterna gratidão. Deram a mim e minhas irmãs Ângela Cristina e Adail Cláudia, além de uma vida simples, porém, com estrutura econômica e de caráter moral indiscutível.

A Família

Bodas de Prata dos meus pais Hélio e Valdir. 
Eu e minhas irmãs Ângela Cristina e Adail Claudia.


Minha companheira Nilda, responsável pelo meu equilíbrio
 
e abaixo com meus três filhos Clodoaldo, Carolina e Layla, além do meu pai e minha irmã Claudia, que sempre me trouxeram alegrias e orgulho de ser pai deles.

 Estou nas nuvens com minhas duas netas Jamila (a maior filha do Clodoaldo) e Malika (o bebê filha da Carolina).

  este é o meu núcleo central. Não podem me faltar nunca!
 
Em paralelo e muito importantes meus avós Benedito e Benedita, tias, tios, prim@s e sobrinh@s.

É assim, SESSENTÃO de felicidade e prazer. Um abraço a tod@s.

Arruda

terça-feira, 3 de abril de 2012


DEMÓSTENES – a sina de ser um vendido.
(*384 a.C - + 322 a. C)

Demóstenes foi um proeminente orador e político grego da cidade de Atenas.

Com enorme eloqüência demonstrava a capacidade intelectual da antiga Grécia, a política e a cultura até hoje referencias no mundo todo.

Demóstenes aprendeu retórica estudando os discursos dos grandes oradores antigos.

Demóstenes, o grego, é sobre ele que estou escrevendo, era órfão desde os sete anos, teve a sua herança roubada por quem o cercava, era muito gago e começou a sua brilhante trajetória de orador aos vinte e sete anos fazendo muitos exercícios para superar essa deficiência.

Sua vida como orador e político foi dedicada à defesa de Atenas que se via ameaçada por Filipe II da Macedônia, contra quem Demóstenes escreveu inúmeros discursos que ficaram conhecidos como Filípicas.

O objetivo era conclamar os cidadãos atenienses e arregimentar forças contra a Macedônia antes que fosse tarde demais.

Após 335 a.C., Demóstenes vê decair tanto sua reputação quanto influência.

Demóstenes, o tal da reputação ilibada, grande tribuno, autor de discursos contundentes descobriu-se ter sido comprado por um ministro de Alexandre e facilitar sua fuga de Atenas.

Aquele homem honesto, probo, defensor da moralidade, da ficha limpa, dos escravagistas gregos exploradores de homens e mulheres escravas, foi preso por ser um VENDIDO.

Qualquer semelhança com algum Demóstenes que por acaso você tenha ouvido falar juro, te juro mesmo, que é mera coincidência.


Encerro essa homenagem a Demóstenes, o grego, pedindo que ouçam o grande orador e filósofo brasileiro – Bezerra da Silva interpretando - Os Federais Estão te Filmando.


domingo, 18 de março de 2012



 O VENDEDOR DE ÓLEO DE BALEIA E O HUMOR COM NEGRO.

A semana passada foi marcada pela grande repercussão e polêmica envolvendo o show de piadas Proibidão e a reação do músico negro Raphael Lopes, que mesmo trabalhando no evento como integrante da banda da casa noturna onde se realizou o stand-up chamou a polícia e deu publicidade ao caso por ter se sentido atingido moralmente onde numa “piada” foi comparado a um macaco.

Por dever de ofício fui envolvido diretamente na polêmica e dei diversas entrevistas para alguns dos mais importantes veículos de comunicação, contudo, não poderia deixar de manifestar, no meu espaço, o que o penso sobre o velho tema: racismo versus liberdade de expressão.

A liberdade de expressão, especialmente quando se trata de manifestação artística ou política é a mais importante exteriorização da democracia e orgulhosamente integro o grupo de brasileiros que enfrentou a ditadura militar para que ela fosse restabelecida integralmente no Brasil. Portanto, para essa garotada que hoje faz apresentações públicas, sou um dos milhões de brasileiros que se insurgiram a censura e ao impedimento da livre manifestação do pensamento.

Só que garantimos também que no Brasil a dignidade da pessoa humana seja um dos fundamentos do estado democrático de direito, de maneira tão importante e veemente, que ela foi colocada como a terceira alínea do artigo primeiro da Constituição Federal.

E mais, para comprovar a não aceitação de qualquer forma de discriminação ou racismo, repetiu-se tais mandamentos nos artigos 3º, 4º e 5º, exatamente nos títulos dos princípios (I) dos direitos e garantias (II) fundamentais onde também estão consagrados os direitos de liberdade de pensamento e de expressão a que se referem os realizadores do espetáculo para, inclusive, de maneira ilegal, exigir a assinatura da platéia em um documento em que, a rigor, aceitavam que seus direitos constitucionais fossem invalidados em relação ao que ali se realizava. Um absurdo!

Não se pode NUNCA, nem mesmo o seu titular, ainda que por documento, abrir mão da dignidade humana. Esta, como a vida é um direito indisponível.

E o que o vendedor de óleo de baleia tem a ver com essa questão?

Durante os séculos 18 e 19 a iluminação das ruas era feita com óleo de baleia e, certamente, havia muitas pessoas que se beneficiavam economicamente desse mercado, até que surgiram duas novas alternativas de iluminação: a gás e a querosene, que foram adotadas no Brasil e em muitos outros países.

De uma hora para outra o mercado de óleo de baleia acabou e os comerciantes desse produto que não se adaptaram as novas regras também se acabaram.

É assim o mundo. Os humoristas brasileiros que necessitam tripudiar sobre, raça, deficiência física, orientação sexual, entre outros, para mostrar a sua “arte” saibam que a nossa sociedade não mais aceita com passividade essa violência contra os direitos humanos e que já é hora de modernizarem suas lamparinas.

Se não tiverem competência para tal retirem-se e procurem os programas sociais de reinclusão profissional para que não corram o risco de serem encarcerados por racismo ou outra forma inaceitável de discriminação.

domingo, 4 de março de 2012


O comandante negro
Carlos Magno Nazareth Cerqueira



Introdução

É de muitos conhecido o trabalho que desenvolvo há anos com a Polícia Militar do Estado de São Paulo e também, em duas oportunidades, com a Polícia Militar do Distrito Federal, sempre em busca de ajudar a construir um serviço público de segurança que respeite a população negra e outros segmentos históricamente discriminados.

Não tive ainda a oportunidade de trabalhar com a Polícia Militar do Rio de Janeiro, porém, é daquela corporação que tenho o maior exemplo de conduta de um alto oficial negro, o primeiro oficial negro que chegou ao mais alto posto de uma força policial pública no Brasil.

O Coronel PM Carlos Magno Nazareth Cerqueira.

Na pesquisa que realizei sobre o esse importante personagem negro da recente história do Brasil, encontrei um trabalho apresentado por Carlos Nobre – Universidade Candido Mendes – UCAM – que pela qualidade e riqueza de detalhes sobre a vida desse importante homem negro, tomo a liberdade de publicar uma parte recomendando a sua leitura completa no endereço ao final citado.


O coronel Carlos Magno Nazareth Cerqueira ingressou na Polícia Militar em 1954 e nela permaneceu por quase 40 anos, sendo duas vezes comandante-geral da corporação, de 18 de fevereiro de 1983 a 15 de março de 1987, e de 15 de março de 1991 a 01 de janeiro de 1995. Segundo Sérgio da Cruz, também ex-comandante da PM do Rio de Janeiro, o oficial negro exerceu como aspirante a diversas funções e recebeu vários elogios dos superiores. Este talento profissional iria mais à frente tornar-se uma marca do trabalho Nazareth Cerqueira.

Cruz conta que os primeiros chefes de Nazareth Cerqueira já anteviam que ele poderia se tornar um chefe exemplar.

Em sua carreira, além de duas vezes comandante-geral da corporação, Nazareth Cerqueira comandou o 4º.Batalhão de Polícia Militar, em São Cristóvão, o 19º. BPM, em Copacabana. Ainda foi Ajudante Geral, Diretor-Geral de Ensino, Subchefe do Estado-Maior e chefe do Estado-Maior da PM.

Era formado em Psicologia e Filosofia, tendo ainda cursos em Técnica de Ensino, Psicotécnica Militar e fez estágio na Gendarmerie francesa. Serviu na antiga Escola de Formação de Oficiais e no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Oficiais e Aperfeiçoamento de Sargentos. Foi um importante ideólogo militar, que se batia pela novidade no ensino:

“Sempre esteve voltado para a área de ensino. Concebeu e implementou o currículo aberto nos cursos da Escola Superior de Polícia Militar e Aperfeiçoamento de Oficiais que não poderiam ficar amarrados a velhos e ultrapassados modelos. (...) para a Academia de Polícia Militar Dom João VI, idealizou um curso voltado para a formação de profissionais de segurança pública, combatendo tenazmente a grade curricular centrada apenas em matérias militares e na abordagem excessivamente jurídica-acadêmica, em detrimento de outras matérias de interesse profissional”.

Em 18 de fevereiro de 1983, Nazareth Cerqueira assumia o comando-geral da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro - PMERJ, nomeado Secretário de Polícia Militar pelo governador Leonel Brizola. Era o início de uma trajetória de comando de sucesso e de polêmica numa organização policial bicentenária.

A primeira controvérsia aconteceu porque a sociedade brasileira se deparara com um oficial negro no comando de uma organização encarregada de policiamento ostensivo nas ruas.

A presença de Nazareth Cerqueira como comandante-geral da PM se tornara uma novidade até certo ponto constrangedora, pois colocava em cena novos questionamentos sobre o papel da polícia e da marginalidade num período ainda cheio de amarras, interdições e tensões vindas da regime militar, que ainda mantinha o controle da Polícia Militar em suas mãos.

A “surpresa” da sociedade civil em relação a Nazareth Cerqueira, em certo sentido, se originava pelo fato de as classes sociais em geral estarem acostumadas em  visibilizarem negros como policiais subalternos ou como criminosos. Neste sentido, a imagem de Nazareth Cerqueira, apresentava novos elementos de discussão envolvendo alguns parâmetros, tais como: a violência da polícia contra os negros, prováveis modificações nas técnicas de ação policial e a discussão sobre o emprego dos direitos humanos como política essencial para as ações policiais. As discussões sobre relações raciais, violência e polícia ficaram mais visíveis quando também o coronel negro Jorge da Silva, principal parceiro de Nazareth Cerqueira naquela ocasião, foi nomeado chefe do Estado-Maior da PM, uma espécie de segundo comandante da corporação. Silva expressava as novas tendências, pois era defensor dos Direitos Humanos e estudava polícia e relações raciais, tendo sido premiado com uma monografia sobre a questão racial pela OAB.

A “surpresa” atingiu a tropa, pois parte dos praças e oficiais não imaginaram que o comandante-geral da PM do novo governo fosse negro.

Até aquela data, nunca um oficial negro comandara a mais antiga instituição policial, criada por Dom João VI, em 1809, com o nome de Divisão Militar da Guarda Real de Polícia.

Mesmo tendo tido um curriculum impecável na carreira, naquela conjuntura, era quase que inimaginável dentro da estrutura de poder das organizações militares que um oficial negro pudesse comandá-la. Havia, segundo os oficiais negros, reprodução da discriminação racial na visão de mundo de alguns setores da corporação.

Um major negro ouvido na pesquisa cuja parte aquí reproduzo, sintetiza o impacto que estes setores da corporação tiveram quando Nazareth Cerqueira se tornou comandante-geral da Polícia Militar:

“Quando Nazareth Cerqueira assumiu o comando da Polícia Militar, no primeiro governo Leonel Brizola, houve reação. Lá embaixo, nos recônditos mais distantes da tropa, comentava-se assim: porra, um crioulo comandando, isso não vai dar certo. Como pelo fato dele ser negro, a PM estaria fadada ao insucesso por não ter um comandante branco. Eu lembro que havia pessoas que diziam assim: olha, pode acreditar: se não fizer na entrada, vai fazer na saída. Quando o coronel Jorge da Silva assumiu o Estado-Maior, eles comentaram: porra, agora é dose dupla. (...)  então, era um comandante negro que nunca tinha havido na história da corporação. Não era como hoje, com muitos oficiais negros.“Houve rejeições pela presença de Nazareth Cerqueira no comando, mas depois elas se tornaram quase nulas diante do trabalho que ele realizou na tropa”
 (Depoimento de um coronel negro).


Essas tensões raciais internas nunca se tornaram públicas, mas demonstram que a ascensão de negros em setores estratégicos da vida pública brasileira sempre foi pontuada por relações conflituosas quando se disputa poder, status, prestígio e bens econômicos. No caso de Nazareth Cerqueira, no entanto, havia oficiais brancos que o tinham como um grande policial. Estes oficiais se empenharam para por em prática as novas idéias de segurança pública trazidas pelo primeiro comandante negro da corporação, que chegava ao poder no redemoinho da luta pela redemocratização do país. 

No lado policial, Nazareth Cerqueira se defrontava com um aparelho policial avesso às propostas dos Direitos Humanos fazerem parte da técnica policial. Também parte deste aparelho policial estava envolvida com corrupção e grupos de extermínios, principalmente na Baixada Fluminense.

Neste contexto, Nazareth Cerqueira procurou tornar a PM permeável a participação  da sociedade civil em seus destinos e nas políticas de segurança.

Uma das medidas que causou grande impacto na comunidade negra foi a eliminação de batidas desnecessárias nas ruas e morros do Rio de Janeiro. O negro, deixou de ser suspeito para os policiais, que tinham que ter novos critérios para abordar cidadãos nas ruas.

Foram retrabalhados nas diretrizes de segurança conceitos militares empregados pela PM como “inimigo interno”, que, em geral, era empregado contra os favelados, objetos das batidas. Através de seminários sobre violência e relações raciais, Nazareth Cerqueira introduziu os primeiros estudos sobre a questão da violência policial contra a comunidade negra, trazendo militantes para palestras. Além disso, procurou sistematizar algumas propostas, em estudos internos da corporação, que mais tarde se tornaram elementos substanciais de ação para a nova polícia que a sociedade exigia.

Vamos, aqui, resgatar a fala de ex-oficiais que trabalham com Nazareth Cerqueira em relação a este propósito, o que demonstra que sua obra vai ainda ser citada e referenciada por mais tempo na história da polícia fluminense.

“Ele tinha na cabeça que a polícia é um serviço. Ele levantou a idéia de polícia-serviço em contraposição à idéia de polícia-força. (...) foi muito combatido na época e teve a oportunidade de voltar para um segundo comando e formatar melhor seu projeto.(Tenente-Coronel).

“(...) no primeiro comando, ele estava começando um trabalho prevencionista na corporação. Ele era visto como um brizolista e não como um profissional de polícia. Mas, por que isso? Porque a visão do sistema policial era a visão que o sistema autoritário impôs. Ele foi o único na história da PM que modificou essa idéia de polícia do Estado e de polícia da cidadania. (Major)

“Ele começou um discurso de prevenção quando todo o mundo estava voltado para o combate, para o inimigo interno, para a matança de delinqüentes indiscriminadamente, para a matança de pessoas que não estivessem com suas idéias de acordo com o regime (...) em 1983, ele chegou, ainda com toda essa cultura autoritária incrustada, fez um bom discurso. Era um comandante negro que nunca tinha havido na história da corporação” (Major)

“Acho que a ascensão de negros na PM começou a aparecer desde que o coronel Nazareth Cerqueira começou assumiu o comando (...) é aquele negócio, em cada profissão tem um que sobressai mais que outro, e com certeza, em relação a parte intelectual, ele estava há mil anos-luz na frente de todo o mundo”. (Major)

Conclusão.

De poucos conhecido o Cel. Carlos Magno Nazareth Cerqueira não recebeu ainda o reconhecimento da sua importancia nas relações entre a Polícia Militar e a Comunidade Negra, inclusive pela tensão histórica provocada pelo racismo institucional que influencia as relações de diversos setores no Brasil. Esta materia de autoria do estudioso Carlos Nobre ajudará a conhecer e admirar um dos mais importantes oficiais negros da História do Brasil.

Fonte: bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/aladaa/nobre.rtf